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Recreio da Juventude - Juntos, pais, escola e esporte, fazem a diferença para as crianças 

Juntos, pais, escola e esporte, fazem a diferença para as crianças 

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Juntos, pais, escola e esporte, fazem a diferença para as crianças
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O olhar dos pais e educadores deve estar atento para a dependência das crianças às telas. A dependência ao telefone celular pode causar distúrbios comportamentais, baixo rendimento na escola e o desinteresse por atividades básicas, como a alimentação, as brincadeiras, a companhia e a convivência presencial com os amigos. A situação é grave mas a aplicação do exercício físico e do esporte pode ser o diferencial para a educação dessas crianças.  

Antes de falar em exercício físico, é preciso diferenciar o conceito em relação à atividade física. O primeiro é uma atividade planejada e estruturada com um objetivo, por exemplo, natação, futebol e academia. O segundo é tudo que envolve movimento sem planejamento, feito de forma intermitente e que leva ao gasto calórico, por exemplo, limpar a casa, varrer ou passear com um cachorro. Sabendo dessa diferença, nós podemos observar o quanto tem valor para a criança o planejar das aulas de educação física com objetivos a serem alcançados. As aulas da escola, com professores de ensino fundamental e médio atuando no desenvolvimento motor e cognitivo, têm um papel importante na formação da personalidade, caráter, saúde física e psíquica dos alunos.  

Diante disso, nós voltamos a pensar na importância do esporte, do exercício, da atividade física para a criança na escola, no clube ou na academia. É importante envolvê-las em projetos que têm no movimento corporal seu objetivo principal, como as várias escolinhas esportivas dos clubes e o Núcleo de Aprendizagem Esportiva (NAE), especificamente.  

A prática esportiva favorece e causa experiências corporais importantes que a criança não vai ter quando em contato apenas com as tecnologias. Com os pequenos, as vivências de atividades com o uso de habilidades motoras que não são bem trabalhadas em outras escolas, mas sim, em primeira mão, elaboradas pelos professores de educação física do clube, são o primeiro passo para o início de uma preparação para esporte. E certamente reflete também na educação, num contexto mais amplo para futuras habilidades a serem propostas.  

O método do modelo americano de educação é usado até hoje na formação de atletas. Eles o chamam de esporte educacional e é o que está promovendo uma formação integral do indivíduo. Nesse modelo, o esporte é utilizado como uma ferramenta pedagógica que enfatiza uma abordagem no desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais, emocionais e físicas. 

 Nos EUA, as crianças são incentivadas desde cedo a praticar um esporte. Tanto nas escolas, quanto nas faculdades e colégios, elas são estimuladas a trocar de modalidade até encontrarem uma do seu gosto ou da sua capacidade física, e ganharem uma bolsa para competir por 22 ou 23 anos como profissional. Conhecidas como athlete patway, essa é uma formação esportiva sem interrupção. O caminho do atleta proporcionado pelo modelo americano faz com que todos os alunos participem de um esporte, aumentando o quadro de medalhas do país nas olímpiadas. O modelo da maior economia do mundo mantém o esporte e os alunos engajados pedagogicamente no ensino e todos têm a formação de atletas em paralelo com o de suas devidas profissões.  

A proposta aplicada e desenvolvida no Recreio da Juventude com as crianças as ajuda a conhecerem suas capacidades físicas e treiná-las no desporto mais adiante. Em relação especificamente ao Núcleo de Aprendizagem Esportiva (NAE), por começar justamente aos 3 anos, é uma experiência que traz uma descoberta corporal e cognitiva para as crianças, que têm seu primeiro contato com tarefas que envolvem coordenação motora, habilidades manipulativas, tempo de reação, noção de espaço, equilíbrio, lateralidade, consciência corporal, e muitas outras.  

Um ponto importante para os pais que têm filhos hoje é educar, mas isso é mais que saber dizer não, dar limites e fazê-las lidar com as frustrações. É também incentivá-las nas atividades diárias e melhorar a competitividade, a convivência com outras crianças, a participação nas tarefas e a experiência com os jogos num ambiente em que possam saber seus limites. Isso trará mais maturidade, reconhecimento de suas competências, fortalecimento da sua autoestima no trabalho, convivência social e uma melhor percepção da sua imagem corporal.  

Um enfoque da educação física desenvolvimentista diz que o repertório motor não depende só da idade, mas sim do ambiente em que a criança vive e das tarefas realizadas no seu processo de aprendizagem [1]. E que essa criança em contato com a aula, com o movimento e o esporte, vai poder aprender mais na escola e no clube aspectos como coordenação motora, memorização, tomada de decisão, além de melhora na escrita, fala e desinibição, tendo mais disciplina, respeito, ética com os colegas e em outras áreas, para o resto de sua vida. 

Além de todas as tarefas citadas acima, é necessária uma atenção redobrada no tempo em frente às telas e na participação da família na escola, principalmente dos pais no desenvolvimento mais amplo do filho.

Somos seres aeróbios, que precisam de movimento, que respiramos para oxigenar e vivenciar atividades diversas. Precisamos conviver, nos ajudar e respeitar nosso corpo; gerar bons hábitos, como o de dormir cedo, estudar, ler, praticar um esporte e se alimentar bem. Desligue seu celular, vá jogar bola com seu filho, vá ao cinema com sua filha. Na hora do almoço, converse em família, estimule os bons hábitos, mastiguem, comam devagar, olhe seu filho nos olhos. Sempre invista um tempo para acompanhar as tarefas, estude junto, converse com seu filho. Façam um esporte juntos, vão à praça. Use sua criatividade para propor uma atividade ao seu filho. Saiba que eles são o nosso reflexo e nos imitam, nas coisas boas e nas ruins.  

[1] TANI, Go. Abordagem desenvolvimentista: 20 anos depois. Revista da Educação Física/UEM, v. 19, n. 3, p. 313-331, 2008. Tradução. Disponível em: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/5022/3684. Acesso em: 04 dez. 2023. 

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Autor(a): Lênin Ramalho
Especialista em Personal Training
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